Histórias de impacto que provocam transformações – o caso do vídeo da Vale

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Histórias de impacto que provocam transformações – o caso do vídeo da Vale

A partir da metade dos anos 90, os estudos discursivos da narrativa foram abandonando interesses básicos iniciais, como a identificação de componentes estruturais, para focar em outras coisas como sobre a relação das histórias com a experiência humana e o que significa contá-las. Pesquisadores dizem que a magia do ato de se contar uma história não se resume à história contada, mas ao próprio ato, reiterando que histórias transmitem segurança e conforto e trazem significados para a vida. As narrativas são eficientes meios de interação, pois comunicam, fornecem e transmitem informações.

Não interessam mais só as qualidades do produto em si, como argumento para a venda, mas interessam também criar uma narrativa em que a trajetória da organização seja inspiradora e crie conexões que podem desencadear relações e amparar negócios. Contar histórias através de várias mídias é algo básico, essencial, simples e poderoso. O ponto da narrativa é a sua razão de ser, além disto precisa ser contável, isto é fazer referência a algo extraordinário. A mensagem central e a reportabilidade são componentes que garantem a carga dramática e o clima emocional.

Estudos já investigaram por que algumas narrativas são mais efetivas que outras, sendo que a estética da história pode ser selecionada segundo os seguintes aspectos:

  • Sentimento de significado – a intuição do ouvinte tende a acreditar na história;
  • Conectividade – a história desperta ressonância no ouvinte, que viveu experiência semelhante;
  • Apreciada por si mesma – a história é agradável e por isso aceita pelos ouvintes, que reduzem seus filtros críticos e possíveis questionamentos

Os acontecimentos são narrados e os indivíduos são representados, assumindo o valor de personagens numa ação que se vai perpetuando no interior da organização.

A contação de histórias permite a estruturação das representações dos assuntos organizacionais em três níveis:

a) uma zona de histórias estabelecidas, visíveis nos históricos da organização;
b) uma zona de histórias em movimento, visíveis nos projetos e respectiva ação de comunicação da organização no momento presente;
c) uma zona de histórias potenciais, relativas a assuntos que façam parte da estratégia da organização e que impliquem tratamento futuro e ainda a assuntos que possam fazer parte ou que já tenham existido na trajetória narrada da organização – mas que em algumas das suas dimensões não façam parte do domínio público, tendo circulado em espaços privados de relação e conhecimento.

Essa narratividade implica uma dramaturgia organizacional, no sentido em que compõe, através da memória, o quadro de auto-apresentação da organização para conformação da reputação.

Uma aplicação corporativa deste formato de comunicação pode ser vista num vídeo integrante de campanha para uso de equipamentos individuais de proteção na Vale – que, no caso, não utiliza histórias de seus próprios funcionários, mas sim de outras pessoas para demonstrar o que pode acontecer com os familiares quando alguém não cuida da própria segurança.

E então, você acha que a mensagem está bem clara?

Rodrigo Cogo
Rodrigo Cogo
Profissional de Relações Públicas, em atuação na Aberje, mestre em Ciências da Comunicação e especialista em Gestão Estratégica da Comunicação Organizacional, ambos pela Escola de Comunicações e Artes da USP.
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