Pq os jovens RPs estão infelizes e descrentes

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Pq os jovens RPs estão infelizes e descrentes

Sabe, eu sempre achei que tinha algo de errado comigo. E isso no bom e no mal sentido (sempre). Este é um texto longo (igual ao texto que usei para me inspirar pra escrever esse aqui) e se você não aguentar ler tudo até o fim é pq realmente você é muito especial, mais do que a média das pessoas, e não precisa ler tudo o que está aqui pq vc já sabe de tudo 😉

Introdução: Eu sou GYPSY, e você?

Nas duas últimas semanas o texto “Why Generation Y Yuppies are Unhappy”  do blog “Wait but why” (WBW) bombou na internet! Eu fui um dos que ficou intrigado com o título (pois sou geração Y) e com preguiça de ler tudo (ele é grande pra caramba). Reservei meu domingo pra ler, salvei no iPad e cumpri com o objetivo na sessão de leitura em família pré-almoço o que rendeu a discussão durante a refeição e MUITA reflexão.

O texto original conta a história da Lucy, uma garota da geração Y que mais do que apenas ter nascido entre o fim da década de 70 e o começo da de 90, é parte de um grupo classificado pelo autor (que ninguém sabe quem é) de GYPSYs – Bem-sucedido Protagonista Especial da Geração Y (em livre tradução). Pra começar a viagem vamos entender primeiro que são os “Y”, e isso é fácil:

  • Pessoas que nasceram entre o fim da década de 70 e começo da de 90. Não tem anos bem definidos, mas é por ai

Pra você saber se é um GYPSY, além de ter nascido neste “in-between” você:

  • Ia para acampamentos nas férias ou dormia na casa de amigos quando criança ✓
  • Ganhou prêmios sem importância alguma ✓
  • Fez intercâmbio durante o colegial ou faculdade ✓
  • Acha que cidades que moraria são Rj, SP, BH ou outras pequenininhas mas chiques e sexys o suficiente para te receberem. (Tipo você não iria para uma cidade que está no programa mais médicos)
  • Precisa ter um iPhone ou um Galaxy SWhatever e jamais teriam um Windowsphone ou outro Android qualquer ✓
  • Frequenta(ou) um psicólogo sem ter uma doença mental severa ✓
  • Começou seu próprio negócio (ou pretende fazer isso em breve) ✓
  • Regularmente pensa ou fala sobre as suas paixões (amorosas, materiais ou hobbies) ✓
  • Já teve um blog na vida ✓ (shit)

Agora que entendemos onde cada um se encaixa (e pelos checks você claramente sabe que eu sou um Y e GYPSY, #medo) vamos à definição do WBW sobre felicidade dado pela equação

Felicidade = Realidade – Expectativas

Equação muito simples: Sua felicidade é definida pela diferença entre o quanto a sua realidade está de acordo com a sua expectativa. Assim sendo, se sua realidade está além da sua expectativa você é feliz, se ela está aquém, você está infeliz.

As gerações

Uma pausa para entendermos pq somos como somos (Y), pq nossos pais são como são (Baby boomers) e pq nossos avós são como são e, consequentemente, fizeram nossos pais assim.

Meus pais nasceram na década de 50 (baby boomers). Meus avós (pais dos meus pais duhhhh) nasceram na geração G.I. ou “Greatest Generation” e viveram durante a grande depressão americana e a 2ª Guerra Mundial.

Com o mundo que meus avós viveram eles tinham uma grande preocupação por estabilidade (e tem até hoje pelo tanto que meu avô me liga pra saber se a Hygge está indo bem). Eles ensinaram seus filhos (meus pais), que eles precisavam de estabilidade e de muito trabalho para chegar lá então a carreira deles seria algo como isso:

Quando meus pais se formaram e já estavam trabalhando e já tinham alguma estabilidade (e já me tinham também – lá pelo fim dos anos 80), o mundo começou a passar por prosperidade econômica (no Brasil após a inflação que sofremos até 1992 +ou-) e com isso, quando chegamos na época de falar sobre carreira e emprego, eles nos ensinaram que poderíamos ser o que quiséssemos, podíamos sonhar em ter um negócio próprio, em empreender, em ter carreiras diferentes, em CONQUISTAR O MUNDO! (uhum, conte-me mais sobre isso). Isso aconteceu pq a carreira deles se desenvolveu melhor do que o que eles tinham de expectativa. Algo como isso:

Baseado no que eles viveram e me ensinaram (leia sempre o “me” como “nós” e o “meus pais” como “nossos pais”, pra vc se colocar no meu lugar, se vc não for tão especial assim ;-P ) passei a ter uma grande ambição de viver o meu próprio sonho, de ter as coisas do meu jeito, de ser feliz como eu quero que seja felicidade e de trabalhar como eu quero o tanto que eu quero quando eu quero e da forma que eu quero (uhum….. you wish).

Tudo isso que me foi colocado me fez pensar que sou especial, muito especial, eu ganhei prêmios (to cheio de certificados aqui em casa), morei fora, tenho um blog então eu sou muito diferente do resto das pessoas que estão por ai, logo eu vejo a minha carreira assim:

O problema é que os meus pares (a grande maioria de vocês que estão lendo este texto) pensam da mesma forma, e me colocam pra baixo enquanto se colocam pra cima :-S Assim, em pensado que sou especial, a trajetória da minha carreira, diferentemente da dos meus pais, deveria ser algo como o que está representado no gráfico abaixo (e eu acreditei nisso até 2011, quando sem saber isso começou a mudar, e guarde esse momento que vamos voltar nele mais tarde):

Infelizmente o mundo é uma caixinha de surpresas, e no fim do arco-íris não existe um pote de ouro e construir uma carreira e algo que realmente vale a pena demora anos e anos de trabalho duro e dedicação.

Não que eu tenha “coçado” a minha carreira até agora, muito pelo contrário, mas acreditei (até 2011 como disse acima) que uma hora ou outra iam ver o quão especial eu era e que lá pelos 30 (faltam 2 anos pra isso) eu ia ter carro importado, morar um AP de 200m2 e viajar pra fora do país uma vez por ano (ahhhaaaaaaaaammmmmmmmmmmmmmmmmmm, senta lá, cláudia!). Pessoas que com 30 já conquistaram o que eu coloquei anteriormente são os especiais, e diferente deles eu não me enquadro nesse grupo (percebi isso em 2011) e que essa é uma parcela muito pequena da população.

Um especialista em GYPSYs da Universidade de New Hampshire (EUA), Paul Harvey declarou que os GYPSYs tem “expectativa irreal e extrema resistência ao feedback negativo”, e eu pensei comigo mesmo, “como assim não me contrataram para aquele estágio, eu sou BEM melhor que os outros”, e pro meu azar todos os outros que disputavam a vaga pensavam o mesmo.

Ai entra uma outra análise que convido você a parar, pensar e refletir sobre isso por um instante. Vamos começar assim:

  • Você está feliz?
  • Você acha que seus amigos do Facebook estão felizes?
  • Você tem inveja (inveja branca pq ninguem quer o mal do outro, certo?, AHAM!!!!) do que eles têm?
  • Você acha que o que eles DIZEM que tem (no FB) corresponde exatamente com o que eles REALMENTE tem?
  • O que você demonstra ser/ter no FB corresponde REALMENTE com o que você é/tem?

Ai azedou o pé do frango. Isso pois, segundo estudos lá dos EUA, as pessoas projetam publicamente imagens muito maiores e melhores do que a realidade e isso soma-se para aumentar a “miséria” na qual vive um Gypsy, algo como esse gráfico:

Aqui começa o Post sobre o que foi dito acima, e as Relações Públicas (seriously :-S )

Agora juntemos tudo o que foi dito acima com o que escutamos na faculdade de Relações Públicas e até antes de entrarmos nela:

  • Relações Públicas é uma das profissões mais promissoras para os próximos 10 anos (escutei isso em 2005 num Ranking da IstoÉ)
  • O mercado de comunicação está muito aquecido e cresce em taxas de 20% ao ano (Anuários Mega Brasil)
  • Relações Públicas é uma das coisas mais importantes que tem no mundo hoje (GUANAES, Nizan, 2013)
  • Relações Públicas é um profissional formado para atuar com a Alta Administração, ele é o gestor das demais áreas da comunicação

Como, no mundo, uma pessoa que escuta isso durante o processo de escolher as Relações Públicas e enquanto está se formando profissional da Universidade não coloca as expectativas lá em cima? Eu tinha expectativas lá em cima quando entrei na faculdade, achava que o RP era a salvação do mundo, quase que chegava a pensar: “Como é que o mundo sobreviveu, até agora, sem Relações Públicas?????”!

De julho para cá foram publicados alguns textos muito interessantes aqui no #Blogrelacoes que iniciaram o processo de reflexão sobre esse “momentum” da nossa profissão. O primeiro é um texto meu em que falamos sobre o emprego em RP, que isso não estava fácil pra ninguém e o que era preciso fazer pra chegar lá. Depois a Ariane falou sobre as Relações Públicas não falando a linguagem de negócios. Veio então o “O problema do Relações Públicas é o #mimimi” e fechamos os clássicos com o texto da Ana Manssour “RP Começa a fazer sentido para as empresas, será?“.

Analisando isoladamente esses últimos quatro textos e a compra da CDN pelo grupo ABC vemos que sim o mercado começa a se acomodar, a mudar, a se movimentar. É claro que alguma coisa está acontecendo, mas o que será?

Paralelamente à isso, juntando com tudo o que veio lá pra cima, é óbvio que o sucesso e a recompensa não caem do céu. Está mais do que provado que sucesso está diretamente ligado ao trabalho e ao suor, e esse foi o meu turning-point em 2011 que mencionei. Foi nesse ano que eu decidi me mexer, me movimentar e criar o meu sucesso. Foi ali que eu cansei de me sentir especial e de esperar que os outros descobrissem o quão especial eu sou (se é que isso ia acontecer algum dia hehehe) e entrar em campo para ser protagonista de algo, algo que nem eu sei ainda. Foi naquele ano que o processo criativo da Hygge se iniciou, foi ali que eu tomei a decisão de quase um ano e pouco depois pedir demissão da empresa que trabalhava, comer pão com mortadela e passar a construir o meu negócio, a arriscar e entrar em projetos ousados como é a @Casa_RP.

Hoje, mais claramente, eu vejo que foi ali que eu deixei de ser um sonhador e coloquei os meus pés no chão, passei a ser mais realista e menos sonhador. Foi ali, em 2011, que eu comecei a deixar de ser um GYPSY.

E eu com isso?

Algumas coisas ficam de tudo o que falamos até agora:

  1. Se você está insatisfeito com o mercado (quer seja estudante, quer seja profissional) pare pra pensar o que é a sua expectativa, o que é projeção errada dos outros no mundo e o que é realidade
  2. Volta ao texto sobre o mercado de trabalho em RP e veja como você pode, na prática, mudar isso
  3. Pare de se achar especial e faça alguma coisa de útil que realmente leve os outros a te acharem especial, ou, no mínimo, interessante
  4. Continue ambicioso, muito! O mundo como um todo, e não só o das RPs, está cheio de oportunidades, basta parar, identificar algumas delas e trabalhar por isso.
  5. Releve o que os outros projetam nas redes sociais sobre como estão bem sucedidos, onde chegaram e quantas baladas eles frequentam. A galinha do vizinho sempre é mais gostosa, já dizia o ditado. A verdade é que todos os outros acham a sua, mais gostosa, logo, faça isso valer a pena!

RPs, o mercado está ai para aqueles que querem ser protagonistas de algo, e não para os que vão esperar o sucesso cair na mão. Bora batalhar pra colocar coisas na rua e fazer acontecer! É com trabalho duro, constante e muita dedicação que cada um vai conquistar seu lugar ao sol!

E adoraria que isso começasse com vocês me dizendo o que acharam dessa viagem nos comentarios abaixo, no twitter em @prochno ou diretamente pra mim em pedro@blogrp.todomundorp.com.br. Tks Ariane Feijó pelos pitacos 😉

Pedro Prochno
Pedro Prochno
Eu adoro as Relações Públicas e tudo que engloba esse mundo. Sou graduado em RP, com um MBA pela FGV. Mergulhador tech, DJ, amante de arte. Adoro fazer perguntas, viajar, conhecer novas culturas, pessoas e formas de se ver o mundo!
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