Adapte-se ou seja um dinossauro: extinto

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Adapte-se ou seja um dinossauro: extinto

Vou pegar o bonde do empreendedorismo que anda em moda por aqui e dar os meus pitacos também.

Hoje, vou falar sobre mudar ou morrer. Recebi um e-mail de uma amiga assustada encaminhando uma mensagem que recebeu de uma assessoria de imprensa concorrente (ela também profissional de AI, mas freelancer). A tal mensagem apresenta a agência e os serviços que presta, com foco em pequenas empresas, start-ups e profissionais liberais, já com uma tabela de preço (veja a imagem).

São três colunas com preços e cinco linhas com pacotes de serviços que podem ser comprados de acordo com a necessidade do interessado, e os preços não são “por pacote”, mas sim “por release” elaborado ou revisado ou enviado (para uma base segmentada) ou monitorado eletronicamente. Há também uma opção, a mais cara, que dá garantia de veiculação em pelo menos três veículos e devolve todo o dinheiro pago se após um mês não cumprir essa entrega prometida.

Tabela de pacotes de serviços de assessoria de imprensa

Achei excelente a ideia, e lembrei também de algo semelhante que a SocialCom faz para quem é pequena empresa e tem interesse em gestão redes sociais. Foi uma grande sacada do Cezar, dono da SocialCom, e que permitiu às pequenas empresas o acesso a uma gestão de redes sociais de qualidade em vez daquela que o “filho adolescente” do dono faz, ou o sobrinho que tá sempre fuçando no Facebook. 🙁

Tenho conversado sobre isso com o Pedro e vários outros colegas, sobre a necessidade de criarmos novas formas de fazer negócio, enfatizando que o mercado mudou, as empresas mudaram, as start-ups são uma realidade, e as micro e pequenas, e até médias empresas atualmente têm muito mais consciência de que precisam de comunicação. Elas sabem o que querem embora não saibam como se chama (e a nomenclatura é o que menos importa!), mas têm um budget muito mais restrito para investir.

Temos que nos adequar a esse novo mercado e sair daquele paradigma em que nos ancoraram durante anos, no qual temos que conquistar uma ou duas multinacionais como clientes e nos agarrar a elas como carrapatos, fazendo sempre as mesmas coisas para os mesmos e dependendo deles para nos mantermos. Multinacionais, aliás, que só contratam grandes agências, de renome nacional e internacional, e não profissionais “avulsos” como nós ou nossas agências de duas ou três pessoas.

Como profissional autônoma, tenho sugerido e praticado novas formas de fazer negócios, muito especialmente por pacotes ou customizando, que é o que a tal assessoria de imprensa em questão está fazendo, e que a SocialCom faz já há quase dois anos. E também propus uma rede colaborativa de parceiros de comunicação para atender clientes de maior porte ou com maior variedade de necessidades de maneira a não perder cliente e manter um preço enxuto – já somos seis! E quem não mudar, não procurar alternativas, não se adaptar, não inovar e nem buscar entender e se adequar às necessidades dos pequenos, possivelmente vai naufragar. Como costumo dizer aos amigos, não podemos ficar na era Jurássica.

Os dinossauros foram extintos porque não se adaptaram em tempo.

Os dinossauros foram extintos porque não conseguiram se adaptar à mudança do ambiente no prazo necessário. Então, algumas premissas, hoje, são básicas:

  • Não podemos ter smartphones sem contratar pacotes de dados nem ter acesso 3G, pois temos que estar permanentemente acessíveis e poder ver o que o cliente está nos falando quando nos manda um link por e-mail (às vezes é um vídeo, outras é um comentário negativo contra a empresa numa rede social às vezes é uma matéria danosa e potencial crise para gerir…).
  • Temos que ter um bom perfil no Facebook porque muitas vezes novos clientes (ou mesmo atuais e antigos) nos encontram por lá e passam informações de briefing e arquivos de dados e imagens inbox.
  • Temos que ter WhatsApp e ficar sempre online pois muitas mensagens de emergência são enviadas pelo aplicativo, inclusive com  anexos.
  • Temos que ter perfil no Instragram e no Foursquare para poder monitorar empresas, marcas, concorrência ou pelo menos estarmos a apenas um clique de algo que nosso cliente quer que a gente veja (ou que nós queremos mostrar para ele).

E, principalmente:

  • Temos que trabalhar com outra formatação de horas e preços, atividades e responsabilidades, para podermos atender as necessidades desse ótimo segmento de mercado que são as micro e pequenas empresas e o nicho específico das start-ups, que têm o budget estipulado no Plano de Negócio para atividades de “marketing e comunicação”; temos que ter vários pequenos clientes e um ou dois maiores, aprendendo a ganhar um pouco com cada e não sonhando com ganhar muito de um ou dois.

Assim, crescemos e evoluímos junto com o cliente, aproveitamos o que aprendemos com uns para aplicar em outros, fazemos um “benchmarking íntimo” para ampliar nosso conhecimento e leque de ofertas aos clientes, e ainda aproveitamos para incluir nos nossos serviços a intermediação de oportunidades de negócio entre os clientes que temos, fazendo as vezes de operador de “business intelligence” – claro, mediante um plus financeiro condicional à efetivação das parcerias.

Com tudo isso, ampliamos várias vezes nossa rede profissional de relacionamentos, e, por consequência, o alcance de prospecção de novos clientes; provamos e comprovamos, no nosso dia-a-dia e no dos clientes, que “Todo Mundo Precisa de um RP”, abrindo caminho também para nossos colegas em outras cidades e estados, e para os futuros profissionais da área. Ou seja, ganhamos nós, ganha a profissão e ganha a atividade de Relações Públicas.

Por isso, adapte-se ou extinga-se. Se não, o melhor é você se preparar para a aposentadoria – se  já tiver idade e tempo de contribuição para isso – ou procurar emprego tradicional em agências ou empresas. Até porque, quando começamos a empreender, o resultado positivo com lucros demora a chegar mais do que você sonhava, queria ou planejou. A menos que crie uma nova forma de fazer negócios que seja o próprio pulo do gato! Então, não se esqueça de compartilhar com a gente que ajudou você nessa caminhada.

E não se iluda… Em pouco tempo serão necessárias novas adaptações e mudanças, porque essa é a realidade do mercado, essa é a vida: só não muda o que já morreu, como os dinossauros!

Ana Manssour
Ana Manssour
Relações Públicas é uma missão de vida, é ser capaz de fazer pessoas, empresas e sociedades mais equilibradas, mais justas e mais felizes.” Graduada em Relações Públicas pela PUC-RS, conta com aperfeiçoamento em Comunicação Empresarial pela ESPM-RS e mestrado acadêmico em Administração com ênfase em Organizações pela UFRGS. Com mais de 35 anos de carreira profissional em vários segmentos de mercado, também foi professora em cursos de graduação e pós-graduação no Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Idealizou, fundou e foi sócia por sete anos do portal feminino Plena Mulher. Mantém há mais de 10 anos a Pró.RP Relacionamentos Sustentáveis que, desde 2015, está direcionada ao trabalho do Verbo Mulher, uma aceleradora do processo de inclusão feminina e equidade de gêneros nas empresas e nos negócios.
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