Sou uma comunicadora introvertida, e agora?

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Sou uma comunicadora introvertida, e agora?

Esse post foi escrito por Raquel Vandromel. Participe você também do #Blogrelacoes, veja como aqui!

Como comunicadores, somos comumente ligados à extroversão porque as pessoas imaginam aquele indivíduo que circula livremente entre diversos públicos, que tem essa disponibilidade natural em engajar conversas corriqueiras com muitas pessoas ao mesmo tempo e que, basicamente, podem fazer amizade com qualquer pessoa.

Isso é perfeito para um Relações-Públicas. Afinal, a intenção é comunicar, certo? Portanto, você me diz: um comunicador não pode ser introvertido. E eu te respondo que sim, nós podemos.

imagem: http://3.bp.blogspot.com/

A introversão é erroneamente confundida com timidez. Então, deixe-me esclarecer uma coisa: introversão e timidez não são a mesma coisa; introvertidos podem se relacionar bem com as pessoas, falar bem em público, são bons comunicadores e sabem engajar seu público tanto quanto extrovertidos.

O que determina se uma pessoa é introvertida ou extrovertida, na verdade, é o modo como ela adquire e recarrega suas energias. Extrovertidos sentem uma necessidade de estarem em convívio social para se munirem de motivação, precisam conversar e compartilhar com as outras pessoas. Introvertidos preferem “encher a barrinha” de energia se afastando disso tudo, gostam mesmo é de estarem sozinhos; na verdade ter de interagir muito, de maneira aleatória, suga a energia dessas pessoas.

Quando me descobri introvertida, me assustei.

Eu, introvertida? Nunca!

Eu escolhi a profissão de Relações Públicas, escolhi me tornar uma comunicadora; tenho de ser naturalmente extrovertida.

Sou do tipo piadista, que ri (inclusive de mim) o tempo todo; sabe o happy hour? Eu vou. Tem que conversar com o cliente? Eu falo. Recepcionar desconhecidos, também.

Não sou do tipo antissocial, mas sentia que essas atividades todas me esgotavam, e chegava um ponto da minha vida em que eu tinha a necessidade crônica de me afastar de tudo e de todos; porque no fim das contas, meu reino era voltar pra casa no fim do dia, colocar uma música e ler meus livros, com uma xícara de chá.

Foi quando li um artigo ótimo no Brasil Post falando sobre os 23 Sinais de que Você é uma Pessoa Introvertida, e me identifiquei prontamente com, pelo menos, 21 delas. Senti-me reinserida na sociedade, sem exageros.

Poder permanecer em silêncio é uma dádiva. Isso, em nossa profissão, é considerado um ponto fora da curva. Na verdade, a sociedade como um todo valoriza um comportamento extrovertido; no trabalho, somos altamente estimulados ao brainstorming coletivo, no qual todo mundo fala, mas ninguém se ouve.

Vivemos em uma sociedade compartilhadora, onde o mais acertado é pensar pra fora e a lei que impera é a mesma aplicada ao furo jornalístico “o primeiro a gritar a notícia é o vencedor”.

Li uma vez na Wired, um artigo sobre nosso sistema corporativo atual, em que todo o ambiente favorece um extrovertido. As paredes das salas desapareceram para dar lugar às baias compartilhadas; e o trabalho face-a-face, em reuniões intermináveis em que muito se fala, mas poucas conclusões são tiradas, é constante. Introvertidos precisam agir como extrovertidos, com a intenção de se encaixar no mercado de trabalho. Mas isso os esgota e os desmotiva.

Aí você me diz que comunicadores precisam fazer networking e estarem sempre rodeados de pessoas! E eu respondo, não necessariamente. Somos responsáveis por analisar, planejar e executar planos de comunicação que, ora solucionam problemas, ora evitam que esses problemas aconteçam e/ou se repitam.

Somos responsáveis por olhar tudo nos mínimos detalhes, ver o que ninguém enxergou ainda. Somos detalhistas; é exigido de nós saber ler o mercado e as pessoas. Identificar ranhuras e potenciais escondidos. A regra de ouro é ouvir mais e falar menos, afinal, comunicação assertiva é eficiente e sucinta.

Para conhecer mais sobre o assunto, a dica é o livro The Introvert’s Way: Living a Quiet Life in a Noisy World (Perigee Book), de Sophia Dembling.

 

 

 

 

Raquel Vandromel é formada em RP pela Cásper Líbero e trabalha na área de Relacionamento da Aberje.


Convidados RP
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