O lado B do empreendedorismo

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O lado B do empreendedorismo

Nem tudo são flores, alegrias, holofotes, glamour e sucesso no empreendedorismo. E o mais interessante é que poucas, muito poucas pessoas gostam de admitir e falar sobre isso. No máximo, dizem que empreendedor tem que trabalhar muito, o que, na real, faz parte da realidade da maioria dos trabalhadores brasileiros, independentemente de formação e atividade, né?

Isso, junto com o despreparo da esmagadora maioria dos “novos empresários” faz parte das razões da quebradeira de empreendimentos no Brasil. E não estou falando isso porque quero que as pessoas desistam, não.

Pelo contrário! Tem quem não saiba, mas nos Estados Unidos, por exemplo, empresário que já faliu ou desistiu e recomeçou pelo menos duas vezes tem muito mais valor e credibilidade do que quem está tentando pela primeira vez.

Você já leu a história ou assistiu o filme sobre como Walt Disney chegou onde chegou e o que passou para chegar lá? Se não leu nem assistiu, #ficadica!

Pois bem, saiba, portanto, que há muitas dificuldades, muitas dores, sofrimentos e até desesperos na vida empreendedora – muitas vezes entremeados de momentos felizes e até gloriosos.

Por mais que eventualmente você esteja fazendo o que gosta, vai ter que fazer muita coisa que não gosta, que tem dificuldade, preguiça, falta de vontade, mesmo, de fazer.

E não tem jeito, tem que fazer. Até porque quando se começa não temos uma super equipe, sócios, parceiros ou funcionários trabalhando em atividades específicas e complementares como acontece nas empresas estabelecidas.

Saiba que você é ou será o faz-tudo da empresa por um bom tempo. E mesmo depois desse tempo, ainda vai ter que aprender a recrutar, selecionar, contratar, treinar, coordenar, supervisionar, avaliar e pagar esses outros por mais um bom tempo até poder deixar a máquina bem alinhada e andando quase sozinha.

E, sim, não duvide, é muito provável que você fique doente. Chega aquele ponto que a resistência do seu organismo cai porque você está trabalhando muito mais do que 10 horas por dia, dormindo muito menos que 8 horas por noite, nunca mais conseguiu tirar mais do que um feriado prolongado de descanso (férias, nem pensar!), e ainda fica se arrancando os cabelos porque tem uma lista de afazeres que parece que não terminam nunca por mais que você trabalhe.

E tem chance de você ficar emocionalmente ou psicologicamente afetado. Talvez você não tenha podido pagar os impostos e taxas só com o faturamento da sua empresa.

As economias que você tinha para isso desapareceram como por encanto. E é possível que esteja precisando colocar dinheiro do seu bolso, ou do bolso dos seus pais, namorado/a, irmãos, marido/mulher para não ficar em dívida com o governo.

E se isso acontecer, pode impedir que você conquiste alguns clientes que são exigentes com a lisura da sua empresa e dos seus negócios.

E, antes que a dívida fique impagável pelo resto da sua vida, pode acontecer o “captulum final”. Tipo, não deu mais, teve que desistir da empresa que tinha um trabalho lindo, um nome maravilhoso, um plano de futuro brilhante que não aconteceu.

Chore. Não tem problema. Chorar alivia a pressão interna e faz bem para a saúde física e emocional que já estavam bem abaladas desde o 5º parágrafo.

Volte a procurar vagas de emprego, trabalhe como empregado novamente por um bom período até pagar as contas e recuperar o fôlego. Tire férias mais longas, descanse, estude, aprenda sobre negócios, procure o SEBRAE e faça todos os cursos possíveis.

Faça terapia para curar as feridas. Busque um mentor ou coach, ou os dois. Encontre o equilíbrio entre a emoção e a razão, entre o corpo e o espírito.

Descubra o trabalho como um meio de fazer mais do que ganhar dinheiro, mas um meio de fazer o bem, bem feito.

Quando estiver recuperado, e se tiver vontade, volte à carga! Mas desta vez, com um bom plano de negócios feito com a assessoria de alguém experiente, ou do próprio Sebrae. E tenha um mentor acompanhando você por um período de pelo menos um ano.

Além disso, algumas dicas comportamentais importantes, são:

  • Seja humilde, reconheça que você não sabe tudo.
  • Evite fortemente o estrelismo e o impulso de parecer “o bom”.
  • Procure apoio no conhecimento dos que têm mais experiência, mais anos de vida e de mercado.
  • Leia, escute, assista testemunhos de quem já empreendeu, já quebrou, já sofreu – como você – e entenda que você não está sozinho e não é um looser.
  • Aprenda contabilidade básica.
  • Aprenda Excel (mesmo!) para seus controles e para apresentação de resultados.
  • Conte com o apoio de uma assessoria contábil séria e comprometida com o seu sucesso.
  • Busque complementariedade nos novos sócios ou parceiros.
  • Não veja o concorrente como competidor, mas como um potencial parceiro – isso é mágico e muito, muito mais proveitoso para a empresa e para você.
  • Não gaste dinheiro com “perfumaria” – só compre o que realmente for necessário para fazer o trabalho.
  • Não queira ter um escritório exclusivo: trabalhe em casa, procure espaços de coworking ou de escritórios e salas compartilhados.
  • Faça algum trabalho de autoanálise periódico ou terapia.
  • Seja otimista mas realista.
  • Tenha consciência que empreendedor nunca tira férias do tipo “desligado da tomada” – se a empresa é sua, se o negócio é seu – mesmo em sociedade – é como um filho, mesmo quando ele já está velho você continua pensando nele e se preocupando com ele.
  • Não espere pelo apoio dos outros (mesmo os da família) para fazer o que você precisa fazer – você pode esperar a vida toda.
  • Esteja preparado, estude sempre, aprenda sempre, se falir de novo, não será pelos mesmos erros.

Sobretudo, lembre-se: Mais importante do que a queda é saber que “do chão não passa” e que é possível levantar e começar de novo com a cabeça erguida, os pés no chão, mais conhecimento e o entusiasmo de quem é movido pela paixão!

Não custa eu dizer que estou falando sobre isso para você porque “já passei por isso” e também estou nesse mar, navegando. Desta vez, com uma nau melhor e mais bem acompanhada. E quero ajudar outras pessoas a terem um “lado B” menor. 🙂

Neste dia 20 de outubro, às 13 horas, teremos a jornalista Eliana Loureiro contando um pouco da sua história de erros e acertos, compartilhando conosco o seu lado b do empreendedorismo, e como isso não virou um filme de terror. Mauro Miaguti, empresário, empreendedor, facilitador do Empretec/Sebrae e forte apoiador do empreendedorismo trará orientações para prevenir e minimizar o “lado sombra” do empreendedorismo.

Os Encontros Verbo Mulher no ABC acontecem sempre no auditório do CIESP-SBC. Mais informações e inscrições você pode acessar na página bit.ly/VM15ABC.

Ana Manssour
Ana Manssour
Relações Públicas é uma missão de vida, é ser capaz de fazer pessoas, empresas e sociedades mais equilibradas, mais justas e mais felizes.” Graduada em Relações Públicas pela PUC-RS, conta com aperfeiçoamento em Comunicação Empresarial pela ESPM-RS e mestrado acadêmico em Administração com ênfase em Organizações pela UFRGS. Com mais de 35 anos de carreira profissional em vários segmentos de mercado, também foi professora em cursos de graduação e pós-graduação no Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Idealizou, fundou e foi sócia por sete anos do portal feminino Plena Mulher. Mantém há mais de 10 anos a Pró.RP Relacionamentos Sustentáveis que, desde 2015, está direcionada ao trabalho do Verbo Mulher, uma aceleradora do processo de inclusão feminina e equidade de gêneros nas empresas e nos negócios.
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