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Por que o SXSW importa? Relato de uma speaker

Por Karol Andrêis

Se você tem amigos publicitários paulistanos ou acesso à cultura pop no geral, deve ter visto na sua timeline neste mês esse amontoado de letras: SXSW. Elas são as siglas de South by SouthWest e denomina um festival que acontece em Austin, capital do Texas.

Austin é a capital norte-americana da música ao vivo e, por conta disso, um grupo ligado ao Austin Chronicle resolveu que a cidade merecia um festival de música. Isso foi em 1987 e, de lá pra cá, o que era apenas as novas tendências da música sendo apresentadas, ganhou o festival de filmes que tem crescido em importância a cada ano, e o Interactive, o queridinho da inovação e dos publicitários, de onde foram lançados o Twitter e o Foursquare.

Pra começar, o diferencial do festival é o público: it-kids nascidas nos anos 1970, 80, 90 ou 2000 estão por ali, todas juntas e com os seus olhinhos curiosos abertos junto com suas câmeras do Instagram Stories para fazer valer o festival.

Esse público atrai todo mundo que quer mostrar e testar novidades, por isso as startups e os pesquisadores de tendências correm para lá todo o ano nos dez dias de festival, que acontece no final do inverno, começo da primavera dos EUA.

Esse foi o meu terceiro festival e tive a chance de ir como speaker apresentando uma ação desenvolvida pela minha empresa especialmente para o festival. Foi também o festival que foquei mais nos keynotes, que são as palestras maiores de cada assunto e, por isso, divido aqui um pouco do resultado dessa curadoria que passa muito do que os organizadores do festival buscaram trazer esse ano.

Sabe esse papo de diversidade? Tem gente que não gosta, outros ligam à política, mas no SXSW todos os speakers do assunto ligaram ao futuro e principalmente ao futuro dos negócios. Você já deve ter ouvido falar que a geração y e a z estão preocupadas com um propósito de um mundo melhor. Pois é, em breve, eles serão os maiores consumidores e eles não compram qualquer discurso, querem coerência e algo que se sustente.

Jessica Shortall é uma lobista do LGBT, que é mulher, branca, mãe de família e hetero e foi contratada pelas maiores empresas do Texas para advogar pela diversidade, pois, veja só, se isso não acontecer, eles vão perder milhões quando as novas gerações assumirem as pick-ups do consumo e escolherem pra onde vão e o que e de onde vão comprar, de olho em quem está apoiando a diversidade ou não.

E essa coisa de ser legal, se preocupar com o outro? Fica muito bonitinho nos posts de mães do Facebook, mas também é considerado por alguns produtores de conteúdo, como o Rainn Wilson (o Dwight de The Office), como o futuro do conteúdo. As pessoas compartilham o que faz bem, as pessoas compartilham empatia e o que acorda os seus sentimentos e os dos outros. Até quando vamos tentar ser frios como marcas?

Eu estava em uma fila com uma menina canadense de 25 anos que parecia ter saído do filme Lost in Translation, se a Scarlett Johansson fosse de origem indiana pela sua história de vida, possibilidades e sonhos, e ela perguntou para um oficial da municipalidade de Austin, que também estava na mesma fila, de forma genuína e não irônica, o que Austin estava fazendo para se tornar uma cidade mais verde. Na hora eu pensei: eles existem, os 9nhos chegaram, estão tomando conta e vão fazer um mundo melhor!

Essa espiadinha no futuro, sendo no público ou nos quadros do festival, também resvala para a tecnologia e para a música, claro. A Realidade Virtual era onipresente: a cada 10 passos, um convite para uma experiência usando óculos ou mesmo a câmera do celular.

A Inteligência Artificial foi citada e discutida em palestras e painéis que iam do realismo da eficiência dentro das empresas ao controle apocalíptico que isso terá sobre nós. Além disso, diferentes tipos de comunidades eram agregados ao menu do festival, este ano o pessoal dos games e dos animes chegou também para o SXSW Games.

Do lado da música, se em 2011 o palco era tomado de surpresa por estrelas de rock como o Foo Fighters, os headliners de 2017 são do hip-hop: Lil Wayne, Make Will Made It, Mike Mill, Gucci Mane. Uma palhinha do futuro ou do presente, o SXSW é um termômetro do mercado musical e isso nos aponta caminhos para novas explorações estéticas.

Nos filmes, Ryan Reinolds, Ryan Gosling, Charlize Theron e outros famosos que daí não tive a chance de ver ao vivo, traziam lançamentos de filmes ligados à música ou ao futuro. Nada mais adequado ao festival. O SXSW tem esse papel: dar um F5 para quem não tem mais os 18-24 ou integrar perfeitamente o público dessa idade que constrói o futuro. O foco deles é trazer recursos e inspirações para os criativos de todas as áreas e nada parece mais inovador neste momento do que pensar no outro.

Aquele pulinho anual em Austin nos ajuda a corroborar aquelas ideias que a gente pensa sozinho pescando de tudo em volta, mas ainda não comprou 100% ou colocou no papel, se não der para ir, fique de olho do que sai do festival, vai fazer o seu ano melhor ;).

 

Karol Andrêis é fundadora da Babushka, agência que desenvolve estratégias de relacionamento e conteúdo para clientes como Uber e P&G. É responsável pelo planejamento de ações de conteúdo e influência digital há mais de 10 anos, já tendo cases com marcas como AMBEV. Nubank e Fox. Vencedora do Top of Mídia e do Wave Festival. Palestrante da Campus Party, RP Week, Social Media Week São Paulo, Social Media Week Roma, SXSW e fundadora do Social Media Day Porto Alegre.

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