Os temas protocolares estão mais presentes em nosso cotidiano do que podemos imaginar. Desde que nascemos, nos ritos de passagem como formaturas, colações de grau, casamentos, datas comemorativas e acreditem, até mesmo em ocasiões que deveriam ser isentas de formalidades como encontros casuais, baladas e barzinhos com amigos (abordaremos estes últimos ritos protocolares para os próximos capítulos).
Os protocolos quando corretamente aplicados, por naturalidade e função de uma boa equipe acabam, muitas vezes passando despercebidos, exceto por toda pompa e representatividade da ocasião, como o casamento dos noivos Willian e Kate, Duques de Cambridge. O mesmo não ocorre quando existe a quebra de protocolo, as gafes dão muito mais IBOPE do que os acertos.
Destaque para última gafe do Presidente Americano, no mês passado, como modelo de quebra de protocolo evidenciado em mídia global. Obama serve como exemplo de que nem todos precisam nascer sabendo regras e protocolos, mas que, no mínimo, o Presidente dos EUA, homem mais poderoso do mundo, teria que ter um bom Relações Públicas, para saber antecipadamente que a saudação inserida no início do discurso à rainha da Inglaterra “to Her Majesty the Queen”, é o sinal oficial da realeza para que a banda comece a tocar o hino britânico.
Para quem não viu o vídeo divulgado na internet, aproveite para compreender o tamanho da gafe:
O desastre foi agravado quando o Presidente continuou a proferir seu discurso achando que a música era uma simples trilha sonora e não o hino do país. Resultado: ao final do discurso ergueu a taça para o brinde e ficou literalmente no vácuo! O que já era de se esperar num país que é conhecido por cumprir todos os protocolos, como a famosa pontualidade britânica.
Assista também ao rápido vídeo após o jantar, durante encontro com o líder do Partido Liberal Democrata britânico, Nick Clegg, quando Obama assume a gafe cometida em não ter reconhecido o hino britânico:
E vocês, acham que o erro foi de Obama? Em minha opinião, acredito que em partes. Mesmo tendo sido professor de Harvard, Obama não precisa saber ritos e protocolos de todas as partes do mundo que visita, mas tem o dever de ser bem assessorado. O erro em partes se deve também por não ter reconhecido o hino da Inglaterra e por não ter escolhido uma assessoria competente. Como se sabe, também não é o Presidente que escreve todos os seus discursos, nem muito menos define em que momento/ocasião poderá propor um brinde.
A vaga de RP se refere não somente a este último ato na Inglaterra, mas há uma série de episódios pelos quais ele já passou. Para quem tem curiosidade, vale a pena pesquisar no Google “gafes do Obama” para ver alguns outros vídeos. E aí quem se canditará a vaga?
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Interessante. Lembro que a mídia aqui chegou a culpar até a banda pela execução do hino, o que mostra que nem os jornalistas estavam atentos ao protocolo, mesmo após o ocorrido.
Uma boa assessoria realmente faz toda a diferença, especialmente quando o mundo está de olho em você e tudo é mostrado como um show, para o bem ou para mal.
Perfeito, Fabio. Estamos falando, no final das contas, da relevância dos ritos e rituais e como eles comunicam para além da vontade expressa dos comunicadores e dos assessorados. Para quem acha que com a virtualização das relações, estas questões de cerimonial ficariam em segundo plano, mas estão absolutamente em voga – ainda mais num mundo culturalmente interconectado.
Essa reflexão nos leva a concluir que, ainda que o protocolo receba o impacto das mudanças de época, e comportamentos sociais, não significa que ele não exista mais ou que não precise mais ser utilizado. A informalidade excessiva, ou a estigma de "se sentir em casa" em todas as situações, nos faz cometer erros como esses, que colocam a situação central para escanteio, tamanha a repercurssão da gafe…
Muito bem observado Fabio!! Parabéns e boa sorte!!
Concordo plenamente com sua visão. Infelizmente os protocolos, às vezes, são tratados como chatice ou burocracia, mas a essência deles é fundamental para as cerimônias. Acredito sim que em algumas ocasiões, ele possa ser um pouco modificado de acordo com as exigências, mas deve prevalecer.
Com relação ao episódio, acho que o erro foi da assessoria do Obama, o que não o isenta do erro também. O embaixador dos EUA no Reino Unido e sua equipe, com certeza, sabiam deste protocolo e falharam ao não passarem sua percepção ao presidente.
Outro ponto que deve ser considerado é que os protocolos no Reino Unido são tão naturais, que talvez os assessores que moram por lá, não se atentaram que os visitantes deveriam ser orientados.
Parabéns pelo post e pela visão sobre o assunto. Estou esperando os próximos…
Muito bom, Fabio! A beleza do teu texto está justamente em mostrar que "errar é humano" (e que presidentes são humanos!), e que a verdadeira gafe – erro, mesmo! – é um presidente não ter uma boa assessoria de Relações Públicas!
Por mais que muitos de nós – eu inclusive – não gostemos de formalidades, pompa e circunstância, cerimônias e protocolos, há ocasiões em que é difícil fugir delas. E há instâncias em que simplesmente elas são parte do dia-a-dia, das atividades e funções de quem nelas trabalham ou circulam, como as instituições governamentais, militares e religiosas, por exemplo.
Ótimo exemplo e perfeita abordagem.
Parabéns!
Obrigado pelos comentários Ana, Luiz, Camilla, Rodrigo e Gustavo. É isso mesmo! Provocar a discussão de que nem sempre regras são feitas para serem quebradas. O mote "Deixe de cerimônias" é bom até certo ponto… Em ocasiões específicas como a do Presidente Obama, ficou claro que o protocolo existe para ajudar e nos guiar em situações diversas. Sem a informação necessária ele agiu por instinto, faltou assessoria. Faltou Relações Públicas. A Vaga ainda está aberta!
Não fiquei sabendo desse causo, que mico hem?! Gostei de saber, ainda mais com uma visão de um profissional da área. Acredito que todos acabam tendo um pouco de culpa, mas parece que a Rainha levou numa boa. "God save her good humor!"
Trabalhar com cerimonial não deve ser moleza. Parabéns a todos que trabalham com isso.
É verdade Augusto, a Rainha teve postura, não é atoa que pertence ao cargo que ocupa. Soube conduzir e minimizar as falhas que não foram da banda real. Trabalhar com cerimonial realmente não é fácil, mais complexo ainda é o cerimonial público; você desenvolve a habilidade de "se virar nos 30" como em nenhuma outra atividade, garanto!rs