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Cargo, registro flexível, ser o dono do campinho: afinal o que é preciso para ser um RP acima da média?

Esses dias um estudante me enviou um questionário e perguntou se eu achava que qualquer comunicólogo poderia exercer a função de RP. Perguntou também se eu achava que o fato de algumas organizações não terem o cargo de RP enfraquecia a profissão…

Eu tenho convicção de que não é por ter um “cargo” de RP dentro de uma organização que esta função será mais valorizada. Um administrador, dentro de uma empresa, normalmente também não tem o cargo de “administrador de empresas” e trabalha desde a contabilidade até o RH, não sendo por isso menos valorizado no mercado.

Nas grandes organizações, o papel da função e do profissional de RP costuma ser bastante claro. E este, via de regra, está ligado às áreas de tomada de decisão (presidência e diretoria). O bicho pega mesmo em empresas com processos em fase de estruturação, como as pequenas e médias.

Estamos no meio de uma discussão importante sobre o futuro da Lei que rege a profissão de RP. Mas independente da sua posição, pró ou contra flexibilização, não é a Lei ou um cargo que nos faz melhores e mais necessários no mercado…

Se não é o cargo que nos valoriza, o que é?

1. Saber resolver a *dor* das pessoas.

Há uma mudança enorme no mercado e na forma de se precisar de comunicação.

A forma de trabalhar mudou e precisamos aprendê-la, pois ela é complementar às teorias de comunicação, marketing e RP.

Ouvi uma comparação muito boa no evento Marketing Minds: quando temos dor de cabeça, pedimos na farmácia remédio para dor de cabeça, não “um remedinho qualquer”.

Como RPs temos que descobrir qual a dor de cabeça do nosso cliente (empresa, projeto, chefe) e oferecer a solução para ela.

Se não somos os especialistas, temos que  buscar um colega que seja. Ganhar junto, cocriar e aprender. Networking é conhecer pessoas que possam colaborar em nossos projetos, não apenas uma rede capaz de nos conseguir trabalho.

2. Compartilhar e colaborar

Precisamos sair de uma mentalidade de escassez e passar para uma mentalidade de abundância, que condiz muito mais com a era de shares e likes da internet.

Andar (ou voar!) no ritmo e na velocidade do nosso tempo.

paradigma da abundancia

Sim, acredite, tem mercado para todo mundo e este aprendizado ultrapassa o que é ensinado na faculdade – e exige formação continuada, complementar, muita atitude e prática para chegar mais longe. Não paramos mais de estudar. Estudamos o tempo todo.

3. Entender que RP é uma mentalidade, mais do que uma profissão.

RP é mais do que uma função a ser desempenhada pelos profissionais. É cada vez mais uma mentalidade, uma “filosofia de gestão”, por assim dizer. Em alguns casos acaba sendo usada por ter pouca verba, em outras mal usada por desconhecimeto. Cabe a nós “evangelizar” o mundo sobre isso, gerar boa vontade em torno da nossa querida profissão.

O profissional de RP deve estar preparado para ser o norteador das estratégias de comunicação, deve fomentar nas pessoas o seu lado RP.

Quando preparamos um porta-voz dentro da empresa, estamos fazendo isso. Quando criamos ações de comunicação interna ou treinamos equipes para atender o público, estamos fazendo isso.

4. Diversificar a nossa formação.

É fundamental que nos prepararemos para que sejamos reconhecidos como profissionais de estratégia de jogo, mais do que ganhar cargos e títulos em empresas ou no mundo acadêmico. Para que isso aconteça, não adianta apenas se formar.

É preciso entender de pessoas, de psicologia, de mercado, do setor específico onde se atua.

É preciso entender que RP é mais do que conhecemos até hoje e que quanto mais soubermos lidar com os processos de marketing, design, TI, comunicação, mais espaço teremos no mercado.

Temos que começar a fazer as nossas RP com colegas de outras áreas, entender o que eles fazem e como se relacionam. Facilmente descobrimos oportunidades de trabalho e de facilitar os relacionamentos destes profissionais também.

5. Pensar globalmente, agir localmente.

Clichezão, né? Pois é, a frase insistentemente repetida desde o início da globalização ainda não foi suficientemente compreendida.

Viemos um paradigma novo, em que as oportunidades não estão necessariamente na nossa cidade, no nosso estado e, talvez, não estejam nem no nosso país.

Precisamos falar a língua global (e começar pelo inglês, goste ou não). Essa língua é mais do que palavras ou cultura: ela é comportamento e posicionamento.

Se os anos 1990 foram o início dos mochilões, os 2000 os intercâmbios, os 2010 o boom das empresas digitais, temos o desafio até 2020 de entender efetivamente o que significa sermos cidadãos globais. Seja o nosso lugar no mundo, ou na nossa casinha no campo.

O novo paradigma tem tudo a ver com a internet. E, aliás, falei sobre isso há algum tempo aqui, sobre o nosso novo CV ser o Google. Você está ganhando posições nele?

Se não estamos preparados, já passou da hora de nos prepararmos.

A diferença, hoje, é que não precisamos trilhar esse caminho sozinhos.

Já tínhamos as instituições e as associações.

Agora temos o Facebook e o Linkedin.

Temos os encontros, os eventos.

Temos blogs e movimentos incríveis de RPs fazedores – Relacione-se, RP Manaus, RP da Depressão, Versátil, Fantástico Mundo RP, o blog do Samyr Paz no Medium, RP Brasil, o Relações e a Todo Mundo Precisa de um RP….  – para citar alguns.

Não falta braço para fazer muita coisa diferente e quanto mais próximos todos estivermos, quanto mais nos ajudarmos e criarmos novas ideias em conjunto melhores todos nós seremos.

Se além de nos capacitarmos aprendermos a trabalhar juntos, não vai faltar vaga e reconhecimento no mercado para colocarmos em prática todo o nosso fazedorismo.

ODIG
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