O live marketing diante da grande transformação do século XXI

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O live marketing diante da grande transformação do século XXI

A essência do Live Marketing está em engajar e fidelizar os clientes para gerar reconhecimento de marca através de experiências impactantes. Mas como criar essa conexão em meio ao isolamento social? A máxima de que as agências precisam e devem se reinventar nunca foi tão real.

Para compreender melhor esse cenário, as possibilidades de reinvenções, os desafios de se criar experiências digitais e as perspectivas futuras do mercado de live marketing, conversamos com dois profissionais da área: 

  • João Ramos, relações-públicas pós-graduado em sociologia e co-founder do Black Sheep Project, um hub de inovação criativa que vem democratizando o assunto de formas mais inusitadas possíveis, possui mais de 12 anos de experiência na criação e desenvolvimento de projetos de live marketing. 
  • Celio Ashcar, Partner da Aktuellmix, agência de comunicação com mais de 25 anos no segmento de Live Marketing por todo o Brasil, membro do Conselho Deliberativo da Associação de Marketing Promocional (Ampro) e eleito um dos 10 Mais Importantes e Influentes Executivos de Comunicações da Década pelo Promoview.

Confira como foi a conversa! 

Live marketing e coronavírus: uma análise sobre o contexto atual

Para Celio Ashcar, as dores do nosso mercado ficaram mais fortes. “Muitas agências estão engajadas e buscam o diálogo com seus clientes. Na Aktuellmix estamos conversando com todos os nossos clientes. Sabemos que será uma mudança gradativa, pois esta decisão envolve muitas áreas de uma empresa, e em alguns casos necessitam até mesmo de decisões globais. Mas vamos continuar tentando”, comentou.

Assim, os esforços dos comunicadores precisam estar em reconstruir o mercado, com as ferramentas e habilidades disponíveis para esse contexto. Mais do que uma adversidade, precisamos de foco para encontrar oportunidades de negócios para as marcas e que façam sentido para as pessoas.

João Ramos avalia que a todos foram pegos de surpresa e que “apesar de já se falar em transformação digital há muito tempo, as empresas estavam sempre postergando essa mudança.”

A pandemia acaba acelerando essas questões. O setor de eventos e relações públicas, especificamente, ainda está meio atordoado e sem chão. Difícil imaginar experiências de live marketing sem considerar a possibilidade de aglomerações – contato físico. Mas já há indícios de primeiros movimentos. E nós, no Black Sheep Project, já estamos trabalhando forte na reimaginação dos eventos e da gestão de comunidades. E nesse aspecto, a palavra de ordem será: multiplataforma, acrescenta João.

 

Quais as possibilidades de reinvenções que a área de live marketing está vendo nesse momento de pandemia?

Para João, mesmo com a retomada gradual dos eventos e das iniciativas de comunidades, as pessoas pensarão duas vezes se um encontro precisa realmente ser presencial. Na prática, isso significa que a dinâmica do mercado mudou e não volta mais ao que era. 

O mesmo acontecerá com eventos, acredita. É preciso pensar multiplataforma, entender que nem tudo vai se transformar em digital, e nem tudo, talvez, será inteiramente analógico. É o momento do Phygital se tornar uma realidade.”

A busca por novas soluções digitais é uma necessidade para profissionais e empresas, sendo assim, Celio considera que as agências precisam seguir esse caminho e se reinventar: “viveremos um novo momento de experiências onlines através de conteúdo e conectividade.”

Celio, que já foi presidente da Ampro, aponta como um dos pontos-chave a importância do mercado de live marketing trocar reflexões, opiniões e encontrar soluções amplas para todo o setor. 

Para ele, assuntos como práticas abusivas de remuneração praticadas por anunciantes, acordos de pagamentos e boas práticas do relacionamento entre agências e clientes, que já foi temática de um guia lançado pela Ampro em conjunto com a Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), precisam estar na mesa, sendo discutidas. 

 

Quais os desafios de criar experiência no digital?

O Live Marketing nasce da necessidade de uma marca, produto ou serviço falar de uma forma mais efetiva com o público escolhido, sendo, segundo Celio, “a estratégia de Comunicação que mais aproxima pessoas de marcas.”

A grande dificuldade atual está em conseguir aproximar pessoas de marcas sem a promoção de experiências físicas, que sempre movimentou e centralizou as ações do mercado de live marketing.

Neste sentido, João lembra que as pessoas podem até pedir uma comida pelo digital, mas ainda comem no físico: “ainda somos átomos. Experiências são átomos. Contatos, aromas, etc. Difícil mimetizar isso no digital. Talvez Black Mirror já tenha brincado com isso. Óculos de realidade virtual tentam simular situações, mas nada ainda substitui por completo uma experiência verdadeiramente física.” 

Entretanto, algumas camadas sensoriais podem migrar para um ambiente digital. João cita como um exemplo a ação de uma marca enviar um kit de cervejas para a casa de um participante que esteja em uma festa no Zoom. As possibilidades existem, precisamos explorar a criatividade para encontrá-las. “Em vez de tudo acontecer no YouTube, quem sabe não começamos a testar outras plataformas?”, questiona.

João dá outro exemplo: o Red Dead Redemption, jogo de violência online, tem recebido reuniões de empresas, onde cada funcionário é um avatar, em volta de uma fogueira, tratando sobre pauta enquanto ouvem barulhos de tiros na floresta. No mínimo louco e interessante.

 

O que deve ficar de aprendizado pós-covid 19?

Celio enfatiza que é momento das agências, empresas, associações, profissionais, imprensa e todos envolvidos se juntarem para discutir mais este assunto. Dessa troca e união pode nascer muitos aprendizados: “se de fato quisermos reconstruir nosso mercado, gerando empregos e negócios, juntar todas as partes para pensar em conjunto é a única solução!

João defende que é hora de acelerar as mudanças, ”se a humanidade existir daqui a uns 100 anos, seremos lembrados como a geração que viveu a grande transformação de paradigmas do século XXI.

E finaliza: “assim como olhamos o quanto deve ter sido excitante viver o renascimento no século XIV e XV, as pessoas do futuro olharão a gente como os que viveram a revolução do século XXI. Louco isso. De aprendizado? Acredito que começamos uma nova corrida do ouro. Os que tiverem as melhores respostas para isso tudo, chegarão nos potes de ouro.” 

Se tiver interesse em explorar mais o assunto, o Black Sheep Project preparou o paper “Vem aí uma nova era?”, que pode ser acessado neste link. Caso queira conferir mais conteúdos sobre o atual mercado de relações públicas e comunicação, leia também:

 

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Lucas Taidson
Lucas Taidson
Relações Públicas, especialista em Neuropsicologia. Se dedica a construir estratégias de conteúdo para desenvolver ações de comunicação e marketing que geram reputação e vendas.
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